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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
A decisão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh-RN) de arrombar o sangradouro do açude da Malhada Vermelha, na tarde de terça-feira (07), abriu uma crise de confiança entre o órgão e a comunidade local.
Na manhã desta quarta (08), técnicos estiveram no local para avaliar os danos e monitorar a estrutura, mas foram recebidos com desconfiança e revolta por parte dos moradores que dependem do reservatório.
O açude, o maior de Severiano Melo com 7,5 milhões de metros cúbicos, é o centro de uma divergência técnica e social. Enquanto o governo defende a urgência da ação, a população local enxerga a destruição da estrutura como um erro desnecessário.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
Tudo começou quando um vazamento foi percebido na parede do açude, pelo lado externo. Temendo um rompimento total, os órgãos estaduais responsáveis pelo monitoramento dos reservatórios autorizaram a destruição do sangradouro para facilitar o escoamento da água, com o intuito de reduzir a pressão sobre a parede.
Para quem vive e trabalha no entorno da Malhada Vermelha, a intervenção foi vista como uma agressão ao patrimônio da comunidade.
O morador Hélio Pescador relatou que houve tentativa de impedir o avanço das máquinas. Segundo ele, o arrombamento do sangradouro, que fica situado em uma parte alta, não faz sentido para o controle do vazamento, que ocorre em níveis inferiores.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
"A gente queria impedir para eles não derrubarem a parede do sangradouro, porque isso aqui não vale de nada. O nível que está vazando é lá embaixo e aqui no sangradouro é bem alto. Esse serviço aqui não vai resolver nada", afirmou Hélio ao blog Apodi 360.
O temor dos residentes é que a solução emergencial comprometa a segurança hídrica para o próximo ano. A dona de casa Kaline Alves resumiu o sentimento local.
"Este açude é a nossa riqueza. Espero que o governo venha consertar o que fizeram antes do próximo inverno", desabafou.
Apesar das críticas, a subcoordenadora de obras da Semarh, Carolina Dantas, reafirmou que a medida foi a única saída para preservar a estrutura principal da barragem.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
“Começamos com ações emergenciais, pelo nível que subiu, foi preciso quebrar o vertedouro para diminuir a pressão da parede”, disse.
Segundo ela, a elevação rápida do nível da água exigia um alívio imediato da carga sobre a parede.
A técnica destacou que a medida já resultou na redução de 10 centímetros da lâmina d’água e que a parede do açude não tem risco de rompimento.
Carolina revelou também que as válvulas de escoamento da parede, que deveriam auxiliar no controle, haviam sido concretadas pela população, dificultando a operação padrão.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
Questionada pela reportagem sobre os próximos passos para recuperação do açude, a Semarh garantiu que a Malhada Vermelha está no cronograma de recuperação que envolve 28 reservatórios estaduais, que se comprometia em recuperar tanto as válvulas obstruídas quanto a própria parede do sangradouro que foi demolida.
O desafio agora, além da engenharia, será reconstruir a relação com a comunidade de Severiano Melo.




