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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
O que começou com um pedido de socorro se transformou em uma das mais sólidas redes de políticas públicas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Oeste Potiguar.
Em Rodolfo Fernandes, a pauta da inclusão deixou de ser uma promessa distante e passou a ditar o ritmo do Legislativo municipal nos últimos cinco anos, tendo à frente da causa o vereador e atual presidente da Câmara, Miliano Barbosa.
A guinada na forma como o município enxerga o autismo teve início em 2020, ano em que o parlamentar teve seu primeiro contato direto com mães de crianças atípicas enquanto disputava seu primeiro mandato.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
Na época, as famílias lidavam com a invisibilidade e a falta de políticas direcionadas.
“Eu sempre fui muito atuante no esporte, na cultura, na saúde. E a questão do autismo me sensibilizou", relembrou o vereador.
Questionado se a motivação vinha de dentro de casa, ele é enfático: "Até me perguntam se eu tenho algum familiar com autismo, mas não. Essa causa me sensibilizou com a dor do outro, você se sente útil em contribuir com o que as mães passam”.
A primeira tentativa de acolhimento prático foi a criação de aulas recreativas para crianças atípicas no ano de 2021, que funcionavam a partir de doações.
Embora a iniciativa tenha enfrentado desafios, com a participação caindo com o tempo até ser paralisada, o projeto já tem data para retornar, agora fortalecido por uma parceria com a Secretaria Municipal de Esportes.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
O grande salto, no entanto, veio através da criação de leis. Entendendo que as famílias precisavam de garantias permanentes, o mandato de Miliano Barbosa desenhou e aprovou cinco projetos de lei que mudaram a rotina da cidade.
- Em 2021, criou a lei que proibiu a queima de fogos de artifício com estampido, protegendo autistas da severa sobrecarga auditiva.
- Ainda no mesmo ano, um projeto criou a Carteirinha Municipal do Autista, facilitando o acesso a prioridades.
- Em 2022, uma nova lei instituiu a Semana Municipal do Autismo no calendário da cidade, dando ainda mais visibilidade para a causa. Inclusive, esse projeto fez Miliano ser premiado em Brasília, durante a Marcha dos Vereadores da UVB.
- No ano passado, um novo projeto voltado à inclusão criou os espaços exclusivos para Pessoas com Deficiência (PCD) em eventos públicos.
- Agora em 2026, apresentou e aprovou a lei de vacinação domiciliar para crianças atípicas, evitando o estresse dos postos de saúde. Essa lei foi sancionada pelo poder Executivo nesta semana.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
As leis abriram portas para outras ações de cidadania. Recentemente, a Câmara Municipal sediou um dia exclusivo para a emissão de RG para pessoas autistas, garantindo um ambiente adaptado e sem filas exaustivas.
Hoje, o município contabiliza mais de 60 autistas confirmados, além de diversas crianças que estão em fase de investigação diagnóstica. Esse aumento nos números não significa que o autismo “surgiu" agora, mas sim que o preconceito diminuiu e o acesso ao diagnóstico chegou.
É o que atesta Janaína Filgueira, mãe de Bernardo, de 7 anos. Ela foi uma das vozes que iniciou essa luta lá atrás.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
“No começo tinha poucos autistas, mas com o tempo e a nossa luta, outras mães foram se informando e mais crianças foram confirmadas", relatou ela ao blog Apodi 360.
Emocionada, Janaína relembra o preconceito que enfrentavam no passado e como o amparo político deu visibilidade à causa.
“Esse trabalho de Miliano é muito bom, não tinha ninguém que olhasse pra essa causa. E eu já percebi muita evolução desde que ele abraçou isso. A gente agora tem neurologista, fonoaudiólogo, psicólogos e muitos outros profissionais, ou seja, todo um acompanhamento na rede pública para melhorar o desenvolvimento das crianças”, disse.
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| (Foto: Josemário Alves - Apodi 360) |
Apesar do reconhecimento das famílias e do pioneirismo na região, Miliano Barbosa avalia os avanços com os pés no chão. Para o vereador, a missão está longe de terminar.
“Eu sinto muito orgulho, mas eu ainda acho muito pouco. Inclusão não é favor, inclusão é direito. Tudo o que a gente faz aqui é pensando na família como um todo", afirmou o presidente da Câmara.
"Eu me orgulho de ver esses projetos rodarem em outros municípios, mas eu ainda acho muito pouco. Ainda podemos fazer mais”, concluiu ele.





