A queda na oferta de frutas e legumes, em função das condições climáticas adversas, fez o preço do tomate dobrar na principal central de abastecimento do Rio Grande do Norte, a Ceasa. Em pouco mais de três meses, o quilo subiu 100%. O aumento, que começou no campo, já chegou aos supermercados da capital. Quem levou o quilo de tomate por R$ 3,49 em janeiro, hoje desembolsa R$ 4,99, em média, para levar a fruta para casa. O preço é superior ao praticado nos últimos três anos, para o mesmo período.
A alta, que não se limita ao RN, foi sentida tanto pelo consumidor final quanto pelos grandes consumidores, como restaurantes e pizzarias. O italiano Brunaldo Bigi é dono de um restaurante na capital e compra cerca de 1,3 mil quilos de tomate por mês. Apesar da alta, não conseguiu substituir o tomate por nenhum outro item. Não posso cortar do cardápio. O molho é nosso carro-chefe. Para tentar compensar, estou pesquisando os preços e pagando à vista para obter desconto, afirmou.
Sérgio Teixeira é dono de um self-service e também não conseguiu abrir mão do tomate, servido nas saladas e massas. Para não perder os clientes, manteve o preço do quilo e passou a controlar melhor o estoque. Os gastos com produtos agrícolas, como legumes, subiram mais de 100% em pouco mais de três meses e a margem de lucro ficou mais apertada. Restaurantes em São Paulo, estado que também enfrenta alta nas frutas e legumes, adotaram medidas mais drásticas, cortando o tomate do cardápio. Algumas cantinas chegaram a boicotar a fruta e pedir que os clientes fizessem o mesmo.
A dona de casa natalense Maria Neuman Soares, 55, bem que tentou, mas se convenceu de que substituir o tomate não é tarefa das mais fáceis. Para controlar o orçamento, decidiu reduzir o consumo. O comerciante Jaílson da Silva, 30, fez o mesmo. Ele vai às compras duas vezes por semana e revela que tem levado menos frutas e legumes para casa. Vou comprar menos até os preços voltarem para o patamar normal. A estratégia adotada pelos consumidores já surte efeito. Na Ceasa, alguns feirantes tem registrado queda de até 40% nas vendas. Nos supermercados, a queda no volume comprado pelos consumidores tem oscilado entre 20% e 30% nos últimos três meses. A Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn) estima que o preço do tomate e de outras frutas e legumes comece a cair já nos próximos meses. A tendência é de queda. A alta já atingiu o seu pico, afirma Eugênio Medeiros, supermercadista e membro da diretoria da Associação.
Informações: Tribuna do Norte
NOTA: O aumento do preço foi tanta que o tomate virou alvo de piadas e charges nas redes sociais.
Josemário Alves - Da Redação
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