A dona de casa Francineide Soares diz que mora na Barrinha há sete a nos e que esse é o tempo que faz que ela não sabe o que é um banho de chuveiro. “Antes a água ainda chegava nas casas, mesmo sem força para subir para a caixa, e tínhamos que guardar em reservatórios, mas agora nem isso. Estamos realmente passando por dificuldades”, reclamou.
A dona de casa Sebastiana da Rocha afirmou que está inclusive bebendo a água que leva da caixa d’água da comunidade. “A médica já proibiu que eu tomasse, mas não tem outra. Além disso, estou com muita roupa suja para lavar em casa, pois quem me ajuda a carregar é um neto meu, de 12 anos, e não vou botar o menino pra passar o dia carregando água”, afirmou.
A moradora da Barrinha, Maria Vilani, denunciou que a água da comunidade está sendo desviada para as empresas. “Meu pai tem 86 anos e minha mãe 82 e eles estão passando sede e necessidade com essa falta de água. A água da comunidade só abastece as empresas, quem quiser pode conferir como lá não falta água”, disse.
O morador Everton Dantas lembrou que quando o poço da comunidade foi perfurado, o combinado foi a divisão de turnos. “Quando o dono da propriedade furou o chão que encontrou água e a Prefeitura veio perfurar o poço, já havia algumas empresas, mas o combinado era que pela manhã a água deveria abastecer as residências e à noite as empresas. Só que chegaram outras empresas depois disso e a demanda da água não está sendo suficiente e quem sofre são os moradores”, afirmou.
Na comunidade, quem não tem condições físicas para carregar os baldes de água da caixa d’água da comunidade, único local onde existe água, tem que pagar cinco reais por um tonel, para que os carroceiros o levem. “Estou fazendo uns dez fretes por dia, e isso porque tenho que parar para alimentar o burro e para ele descansar”, disse Railton da Silva, um dos carroceiros da comunidade.
Revoltados com a falta de água, os moradores passaram a furar os canos da rede de abastecimento, para que a água não chegue às empresas.
O responsável pela manutenção do poço, Antônio Fernandes, destacou que essa é a causa da falta de água, contrariando muitos moradores, que explicam a ação, que segundo eles já é motivada pela falta de água. “Os moradores estão furando a rede e a água não tem força para chegar à bomba”, disse.
O subsecretário de Desenvolvimento Rural, Betinho Rosado Segundo, destacou que já está ciente da situação da comunidade e que está tomando as providências para garantir o serviço de qualidade. “Já procuramos saber junto ao setor financeiro da Prefeitura o que pode ser feito. Mas, paralelo a isso, estamos trabalhando uma ligação de água da Penitenciária Agrícola Mário Negócio, que inclusive já está 50 concluída. O restante devemos continuar esta semana. Isso deve resolver parcialmente, mas outras medidas ainda devem ser analisadas”, informou.
Informações e Foto: Gazeta do Oeste
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